
Às quinze horas e trinta segundos,
na esquina da rua longa, como o vector da morte,
o pedinte da dialéctica, sôfrego, reclama,
da metafísica temporal,
o pão da visão do tempo, a água da eternidade.
Pedinte não reclames, a dialéctica obtusa,
investe no magnânimo da luta, assume a tua condição.
Às quinze horas e trinta segundos,
na esquina da rua longa, como o vector da morte,
o pedinte da dialéctica, reforça o evento,
a morte recua e o sábio helénico surge.
Pedinte não reforces que a morte é plano,
assume o poder da ignominia, assume a tua condição.
Às quinze horas e trinta segundos,
na esquina da rua longa, como o vector da morte,
o pedinte da dialéctica, urge na estátua,
o tempo dilata-se e o espaço afunda-se.
Pedinte não urjas que estátua não é,
permite que o beijo do PI te relembre, assume a tua condição.
Às quinze horas e trinta segundos,
na esquina da rua longa, como o vector da morte,
o pedinte da dialéctica,
investe, assume e permite
que o círculo se desenhe apesar da cor,
e que o vector da morte se escorra no limbo,
perdido o pedinte ecoa,
a metafísica dança
e a alva plasticidade das coxas antigas
molhadas pelo liquido ardente
pela licorosa saudade do desejo
escorre por entre os lábios
de uma abstracta construção
cubica ou cilíndrica
como num quadro moderno
em que as linhas não desenham jamais flores
ou os sons qualquer melodia
Às quinze horas e trinta segundos,
na esquina da rua longa, como o vector da morte,
o pedinte da dialéctica,
faz justiça
assume o poder de matar
mata
mata democraticamente
sem discriminação
sem desvario
de forma fria
como um bloco gelado
um iceberg de ódio
uma íngreme montanha de luz
um pedaço de céu
para por fim
oculto na metafísica
se revelar
outro
Às quinze horas e trinta segundos,
na esquina da rua longa, como o vector da morte,
o pedinte da dialéctica,
absolutamente outro
revela o mistério
e o mistério
é exactamente
não existir mistério algum
dialeticamente comprovado
apenas
sinteticamente elaborado
sincreticamente reformado
absolutamente divinizado
na parte exacta
solução
da equação fundamental
em que todo o pedinte
émas não é
Às quinze horas e trinta segundos,
na esquina da rua longa, como o vector da morte,
o pedinte da dialéctica,
volta-se para si
e dilui-se
vago
por entre a metafísica
Darkside

Sem comentários:
Enviar um comentário