segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Filosofia de Esquina


Às quinze horas e trinta segundos,

na esquina da rua longa, como o vector da morte,

o pedinte da dialéctica, sôfrego, reclama,

da metafísica temporal,

o pão da visão do tempo, a água da eternidade.

Pedinte não reclames, a dialéctica obtusa,

investe no magnânimo da luta, assume a tua condição.

Às quinze horas e trinta segundos,

na esquina da rua longa, como o vector da morte,

o pedinte da dialéctica, reforça o evento,

a morte recua e o sábio helénico surge.

Pedinte não reforces que a morte é plano,

assume o poder da ignominia, assume a tua condição.

Às quinze horas e trinta segundos,

na esquina da rua longa, como o vector da morte,

o pedinte da dialéctica, urge na estátua,

o tempo dilata-se e o espaço afunda-se.

Pedinte não urjas que estátua não é,

permite que o beijo do PI te relembre, assume a tua condição.

Às quinze horas e trinta segundos,

na esquina da rua longa, como o vector da morte,

o pedinte da dialéctica,

investe, assume e permite

que o círculo se desenhe apesar da cor,

e que o vector da morte se escorra no limbo,

perdido o pedinte ecoa,

a metafísica dança

e a alva plasticidade das coxas antigas

molhadas pelo liquido ardente

pela licorosa saudade do desejo

escorre por entre os lábios

de uma abstracta construção

cubica ou cilíndrica

como num quadro moderno

em que as linhas não desenham jamais flores

ou os sons qualquer melodia

Às quinze horas e trinta segundos,

na esquina da rua longa, como o vector da morte,

o pedinte da dialéctica,

faz justiça

assume o poder de matar

mata

mata democraticamente

sem discriminação

sem desvario

de forma fria

como um bloco gelado

um iceberg de ódio

uma íngreme montanha de luz

um pedaço de céu

para por fim

oculto na metafísica

se revelar

outro

Às quinze horas e trinta segundos,

na esquina da rua longa, como o vector da morte,

o pedinte da dialéctica,

absolutamente outro

revela o mistério

e o mistério

é exactamente

não existir mistério algum

dialeticamente comprovado

apenas

sinteticamente elaborado

sincreticamente reformado

absolutamente divinizado

na parte exacta

solução

da equação fundamental

em que todo o pedinte

émas não é

Às quinze horas e trinta segundos,

na esquina da rua longa, como o vector da morte,

o pedinte da dialéctica,

volta-se para si

e dilui-se

vago

por entre a metafísica


Darkside

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