
O início da dor
A noite espalha por ti a sua cor,
nela, exercitas a loucura como quem se passeia
não terás nunca paz, sabes bem,
mas que interessa a paz se a morte vem.
Sim, ensaias por entre o troar das vozes anónimas,
discursos solenes a um deus bestial.
Na verdade, deixas que o mal te encha,
que te comande, e não queres a vida.
Teu futuro é a necessidade de uma sarça,
de uma velocidade estonteante e pura,
de uma carente e bestial sensação,
como se toda a droga se centrasse em ti,
e o veneno que destilas não fosse doce, somente água.
És a força cruel da montanha de ódio que te urde,
e Deus, como sabes, aniquilou-se por ti,
para que tivesses a certeza de que a vertigem é.
És o Pã vestido de gravata,
uma inocente reapreciação do cômputo fiscal,
a contratação do viaduto entre a vida e a morte,
a premissa da destruição ignóbil da mulher linda,
a laranja que é a terra na linguagem dos poetas,
mas tudo isso para a morte, não para a vida.
Não sabes que a vida não é,
não se pode cantar louvores quentes,
só o frio nos liberta,
só a morte nos dá sentido de ilusão.
Sabes mas a tua escolha é o sorriso...
A vida é para ti a crueza da pedra entre a mancha de
sangue.
Darkside

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