terça-feira, 4 de dezembro de 2007

O meu jardim é Auchswitz

O

O meu jardim é Auchswitz

onde a noite se mascara de dia

e o fogo do inferno se mostrou sereno

a trabalhar maquinalmente

ruidosamente surdo

numa espiral de gás e ordem

organizadamente asséptica.

O meu jardim é Auchswitz

Onde, ornado de cinzento e de preto

passeando-me por entre os cadáveres,

descanso a minha serenidade fria,

pedindo ao ser que me acalme,

e me dê a calma sinistra do ponto frio,

onde nada me atormente mais que o gelo,

e a ríspida negativa de ser feliz.

O meu jardim é Auchswitz,

a línea representatividade do mármore,

a torculenta necessidade da voracidade,

a tempestade ardente do sentimento cru,

a noite eterna entre nós.

Sim mil vezes sim: O meu jardim é Auchswitz!

Ali, onde a humanidade se mostrou como é,

de um lado fria e calculável,

numa programação de finanças de carne,

de outro distante e cordata, fiel, obediente,

tão maceradamente oferecida e dócil,

sem revolta, sem dedução.

O meu jardim é Auchswitz.

A abstracta e indissolúvel nata do tempo,

A marcha marcial dos corpos esqueléticos

E a ordem ríspida da escravatura.

A gordura do corpo e a pele para candeeiro.

Tudo numa uniformidade perfeitamente ordenada

Onde o vazio é o sentido último,

E a vida não se mostra mais...

Sim, porque não se quer a morte em Auchswitz.

Apenas que se faça sentido,

que se mostre que há sentido,

mesmo lá onde o sentido não é sentido.


Darkside

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