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O meu jardim é Auchswitz
onde a noite se mascara de dia
e o fogo do inferno se mostrou sereno
a trabalhar maquinalmente
ruidosamente surdo
numa espiral de gás e ordem
organizadamente asséptica.
O meu jardim é Auchswitz
Onde, ornado de cinzento e de preto
passeando-me por entre os cadáveres,
descanso a minha serenidade fria,
pedindo ao ser que me acalme,
e me dê a calma sinistra do ponto frio,
onde nada me atormente mais que o gelo,
e a ríspida negativa de ser feliz.
O meu jardim é Auchswitz,
a línea representatividade do mármore,
a torculenta necessidade da voracidade,
a tempestade ardente do sentimento cru,
a noite eterna entre nós.
Sim mil vezes sim: O meu jardim é Auchswitz!
Ali, onde a humanidade se mostrou como é,
de um lado fria e calculável,
numa programação de finanças de carne,
de outro distante e cordata, fiel, obediente,
tão maceradamente oferecida e dócil,
sem revolta, sem dedução.
O meu jardim é Auchswitz.
A abstracta e indissolúvel nata do tempo,
A marcha marcial dos corpos esqueléticos
E a ordem ríspida da escravatura.
A gordura do corpo e a pele para candeeiro.
Tudo numa uniformidade perfeitamente ordenada
Onde o vazio é o sentido último,
E a vida não se mostra mais...
Sim, porque não se quer a morte em Auchswitz.
Apenas que se faça sentido,
que se mostre que há sentido,
Darkside

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