
Mãe
Quando as tuas mãos fizeram o mundo
E as tuas mágoas fizeram a nossa alegria
Mãe
Desenhámos no branco profundo da parede velha
Com as tuas mãos esquecidas de mágoas
Todas as mágoas que em nós surgiam por estar em nós a dor
E a parede branca tinha rugas como rugas tinha a tua cara sofrida na alegria das dores de Mãe
A branca parede da dor ao fundo
Com pregos e figuras da nossa intimidade
Não me lembra nunca jamais e agora a dor
A ausência de ti ou a verdade do pregos nela pregados em ordem a um fim qualquer
O que me lembra Mãe
É a forma como sorrias ao nascer dos dias em que caiavas
E na cal descansavas as tuas dores
Brancas
Como são todas as dores
Por o branco ser todas as cores juntas
Como todas as mágoas o são
E porque foi tua aquela parede
Agora que vivo e tu não és mais
As rugas da cal são a tua memória e a minha glória
A branca parede da dor ao fundo
Do mais fundo da dor que já sei pintar
Darkside
