
Na linha que delimita o céu com a terra, hirto, permanece por entre a tensão do espaço com a matéria, o termo real de uma vontade, o Ser que penetra as raízes profundas da relação com a luz, a exclusão de tudo de si próprio, no movimento que de si próprio se gera.
Entoa o vento a sua perene identidade e por entre as linhas desencontradas do que sulca a antiga mãe terra, ventre de toda a criação, vai deslizando devagar um tempo só, tão meridional quanto vagaroso e absolutamente desgarrado, no silêncio que pesa como pesa a terra ao céu que a penetra, devagar, como se o amor de ambos durasse nas linhas que ao vagar das tardes frias os homens foram desenhando procurando ser férteis como o foram suas mães.
Então as curvas da infinita desnudez da terra rugosa e bela, ao ser possuída pelo céu antigo e disperso, pode respirar satisfeita por ter capacidade de inventar perpetuamente com o céu uma estranha fórmula festiva, fecunda e fraternal, porque ao entardecer todos os pontos serão unidos pelo amor que a ambos foi dado ser.
Ao longe, por entre os espaços amplos das nuvens não se adivinha mais que a solidez casta da massa que esmaga o tempo.
Toda a metafísica mata, a meridional mata vagarosamente.
Darkside
