
Creio num só Deus
Criador não do céu ou da terra,
de todas as coisas vivas,
visíveis e invisíveis,
mas, num DEUS
criador
da dor
da morte
e
da descrença
crivado de angústia
pregado por homens como ele
consubstancial
ao pai touro APÍS
e à mãe HERA com olhos de vaca.
Criado não criador
das necessidades
humanas
vernáculas
baixas
vis
fazendo
negócios
por entre velas
e sacrifícios
a santos
disfarçados
de deuses
do lar
entregues
pelos senhores
do mundo
aos tristes
escravos
para secreta adoração
das suas vidas
ilustres
vendidas
nas capas das melhores revistas.
Creio
na santa madre igreja
universal
dos homens
benzida
com ouro
e diamante
toda revestida
dos símbolos
da morte
confundidos com os da vida,
assim entregue para a salvação
de todos os que
perdidos
no seu mar interior
de dúvida
de descrença
de desejo
de paixões
as centrem
ali dentro
da cruz
como se fosse
um sol
a troco da desculpa
por ter uma culpa
que foi inventada
numa tarde
em que a revolta
escrava se fez mais dura
e onde foi necessário
refrear não só
o ódio do escravo como
o ódio do senhor
ao escravo
numa moral
toda rodeada
de mulheres virgens
e sensuais
que se entregam a
fornicações
divinas
mas só com o divino.
Creio
portanto em tudo
para não
acreditar
rigorosamente
senão
no
espírito
que não é santo
mas
apenas
e
só
carne como carne
de
mulher
que nos dá gozo
antes do estertor
que antecipa
o orgasmo
da morte
e virá
para ressuscitar
não os vivos e os mortos
mas
apenas e só
o eterno fogo
do início
Assim seja.
Darkside

