
Vestido com uma couraça de profundo orgulho,
cotado com a verdade trivial e a certeza da fé,
marchando com uma flâmula de ressuscitado,
cantando louvores ao deus das cortes celestes,
estás, orgulhosamente filisteu, na tua regra e vida.
Uma só gota de nada serviu para te desflorar
porque eras inocente e romântico sem pingo de assepsia.
Foi então que pela palavra te domaram as bestas,
pela imagem te usaram todos os monstros e
em nome da mais cândida bondade
uma virgem santa te prostituiu no bordel mais próximo
dedicado ao filho divino ou ao mestre do futuro
entronado em ministro
fluentes todos no mesmo múnus sacerdotal.
Serviste o demónio sem nunca protestar porque afinal
o dever, sempre ele, assim te obriga,
a isso te impele a consciência e a pequena
mas saborosa profissão... tua... só tua.
Agora, em nome da tua desmesurada asperidade
pretendes uma integridade como uma pedra
como um cubo se insinua numa recta ou
um circulo que pretende transformar a carne em torpor.
Foi contra o ponto ínfimo de um átomo de ebriedade
que a tua carapaça se desintegrou...
quando ela passou e te deixou no ar, a ponta do olhar
aquele brilho no segundo exacto em que a pupila
se encontrou com a tua e a ligação
do quente se deu lá no fundo e tudo se desfez
Não era uma mulher, parecia que era...
antes, era a morte... vestida de loucura
tapada pela luz, qual valacouto que se te oferecia
e tu não apreendeste senão a máscara.
És assim apenas um pouco de ti entre a bruma da vertigem a
saliva do outro que te fala e o desdém da funcionalidade
publica, ou púbica tanto faz.
Na eternidade do minuto a que te reduziu a tempestade de
ódio ou na vestuta arrogância da universal puta a que serves
vestida de moeda ao fim do mês em troca de tempo de vida
a tua preciosa integralidade integra de ti, como espelho a
que te agarravas esfumou-se no ar...
Desintegrou-se como vapor de água contra a luz do sol.
Nada mais que uma pequena folha de pagamento te serve
para pairar nesse mar de angústia.
O ogre interno reclama e tu não desmentes
um cúmplice medo de ser algo mais que um número
tens horror á fuga da estatística e apelas sempre para
a hierarquia dos anjos dos mestres ou dos senhores para que
te salvem de ti próprio... que deus te valha.
Eu, que habito no magma infernal dos teus piores receios
e que cuido de ter inscrita a tua figura no livro
das almas ainda por perder
vou sorrindo e cavando a teu lado a linda cova
um dia votarás em mim para patrono da negra arte
e serei dono do destino
cuspir-te em cima e agradecerás
porque consegui finalmente que te desintegrasses mesmo
não no húmus que sempre foste, mas
na grande causa da divindade turca
como encarnação da classe hostil a qualquer felicidade
os simples... como tu
à espera de
desintegração,
esse acto que te posso dar de borla
sem esperar que me agradeças como é devido.
Darkside